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Estamos Vivendo a Nova Aliança?

Estamos Vivendo a Nova Aliança?
Por Sha' ul Bentsion
Baseado em estudo do Dr. James Trimm
 
1 –  INTRODUÇÃO
 
Um dos argumentos principais das igrejas cristãs para defender a não-necessidade de cumprimento da Torá  do Eterno seria o suposto fato de que estaríamos na nova aliança e não na "  velha"  . Será que isso é verdade?
 
Mesmo que estivéssemos vivendo a nova aliança, isso não seria suficiente para provar que a Torá não precisa  ser cumprida. Mas, por outro lado, se não estamos ainda vivendo a nova aliança, então todos os argumentos  subsequentes das igrejas cristãs para não cumprirem a Torá caem por terra.
 
2 –   O QUE É A NOVA ALIANÇA?
 
A   Nova   Aliança   é   uma   promessa   que   é   dada   por   D-us   no   Tanach   (Primeiro   Testamento).   Mas,   em   que
consiste? Vamos analisar aqui os textos que descrevem a Nova Aliança. O texto principal encontra-se em
Yermiyahu (Jeremias):
 
" Eis que os dias vêm, diz o S-nhor, em que farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de  Yehudá, não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra  do Egito, esse meu pacto que eles violaram, apesar de eu os haver desposado, diz o S-nhor. Mas este é o  pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o S-nhor: Porei a minha Torá no seu interior, e  a escreverei no seu coração; e eu serei o seu D-us e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a  seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao S-nhor; porque todos me conhecerão, desde o  menor deles até o maior, diz o S-nhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus  pecados."   (Yermiyahu / Jeremias 31:31-34)
 
Estes são os termos principais da Nova Aliança. Será que de fato podemos dizer que isso já aconteceu, se a  casa   de   Israel   ainda   está   dispersa?   Podemos   dizer   ainda   que   em   Israel   todos   conhecem   ao   Eterno   sem  precisarem ser ensinados?
 
Vamos ver mais alguns termos…
 
"  e farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor no seu  coração,   para   que   nunca   se   apartem   de   mim.   E   alegrar-me-ei   por   causa   deles,   fazendo-lhes   o   bem;   e   os  plantarei nesta terra, com toda a fidelidade do meu coração e da minha alma. Pois assim diz o S-nhor: Como  eu   trouxe   sobre   este   povo   todo   este   grande   mal,   assim   eu   trarei   sobre   eles   todo   o   bem   que   lhes   tenho  prometido.   E   comprar-se-ão   campos   nesta   terra,   da   qual   vós   dizeis:   E   uma   desolação,   sem   homens   nem  animais; está entregue na mão dos caldeus. Comprarão campos por dinheiro, assinarão escrituras e as selarão,  e chamarão testemunhas, na terra de Binyamin, e nos lugares ao redor de Yerushalayim, e nas cidades de  Yehudá e nas cidades da região montanhosa, e nas cidades das planícies e nas cidades do Sul porque os farei  voltar do cativeiro, diz o S-nhor."   (Yermiyahu / Jeremias 32:40-44)
 
Pergunta: todos os judeus já voltaram do cativeiro? E os cativos da casa de Israel onde estão? Se a Nova  Aliança tivesse começado logo após o sacrifício de Yeshua, por que Israel só começou a voltar do cativeiro  50 anos atrás?
 
Vamos continuar nossa análise, agora com o profeta Ezequiel:
 
"  Contudo   eu   me   lembrarei   da   minha   aliança,   que   fiz   contigo   nos   dias   da   tua   mocidade;   e   estabelecerei  contigo uma aliança eterna. Então te lembrarás dos teus caminhos, e ficarás envergonhada, quando receberes  tuas irmãs, as mais velhas e as mais novas, e eu tas der por filhas, mas não por causa da aliança contigo. E  estabelecerei a minha aliança contigo, e saberás que eu sou o Snhor; para que te lembres, e te envergonhes, e  nunca   mais   abras   a   tua   boca,   por   causa   da   tua   vergonha,   quando   eu   te   perdoar   tudo   quanto   fizeste,   diz   o  S-nhor D-us."   (Ezequiel 16:60-63)
 
Com o secularismo ganhando força em Israel, podemos claramente perceber que Israel está longe de atingir o  arrependimento que ocorrerá na Nova Aliança.
 
Vamos ver o que mais Ezequiel diz a respeito do tema:
 
"  Farei com eles uma aliança de paz, que será uma aliança perpétua. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e  porei o meu Santuário no meio deles para sempre. Meu tabernáculo permanecerá com eles; e eu serei o seu  D-us e eles serão o meu povo."   (Ezequiel 37:26-27)
 
Com   tantos judeus no   exílio,   e com   os   descendentes   das 10   tribos sequer tendo   sido   restaurado,   podemos  afirmar que já chegou o tempo da multiplicação? E o Templo? Aqui vemos que o Templo estar presente é  parte integrante da Nova Aliança. Onde está o Templo?
 
Vamos ver agora o que Yeshayahu (Isaías) diz a respeito do tema:
 
"Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o S-nhor: a minha Ruach, que está sobre ti, e as minhas  palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca, nem da boca dos teus filhos, nem da boca dos  filhos dos teus filhos, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre."
 
Vemos aqui que a Nova Aliança traz também uma promessa de que não só nós, mas também nossos filhos e  netos, e posteriores gerações não se desviarão do Eterno. Podemos dizer que isso já acontece hoje em dia?
 
3 –  RESUMO DAS CONDIÇÕES PROFÉTICAS
 
Vejamos então agora um resumo das características da Nova Aliança:
 
1 –   O Eterno colocará a Sua Torá de forma interna em Israel e a escreverá nos seus corações. Em outras  palavras, Israel será naturalmente obediente ao Eterno. Não haverá mais desobediência. (Jer. 31:33; 32:40)
 
2 –  Israel terá com o Eterno um relacionamento íntimo, de cumplicidade. (Jer. 31:33; Ez. 37:27-28)
 
3 –  Todo o Israel conhecerá naturalmente ao Eterno. (Jer. 31:34)
 
4 –  Ninguém mais precisará aprender sobre Quem é o Eterno. Todos já saberão naturalmente. (Jer. 31:34)
 
5 –   TODAS as transgressões de Israel serão perdoadas. (Jer. 31:35; Ez. 16:63; Hb. 9:15, 22)
 
6 –   TODA a terra prometida será dada a Israel. (Jer. 32:41-44; Ez. 37:26)
 
7 –  D-us fará multiplicar a Casa de Israel (Ez. 37:26)
 
8 –  O Templo estará permanentemente (Ez. 26-28)
 
 
Total de profecias sobre a Nova Aliança: 8
 
Total de profecias já cumpridas: 0
 
Alguém ainda duvida que não estejamos na Nova Aliança?
 
4 –   A NOVA ALIANÇA É O EVANGELHO?
 
A Nova Aliança é a aliança bíblica mais incompreendida de todas. O problema é que as pessoas confundem  as Boas Novas (o chamado ' evangelho' ) com a Nova Aliança.
 
Porém, as Boas Novas não são a Nova Aliança, mas sim a promessa da Nova Aliança! Uma das chaves para  entendermos isso está em Yeshayahu (Isaías) 59. Repare que no versículo imediatamente anterior ao que fala  sobre a Nova Aliança, temos o seguinte:
 
"  E virá um Redentor a Tsion e aos que em Ya' akov se desviarem da transgressão, diz o S-nhor."   (Yeshayahu / Isaías 59:20)
 
Repare que um pouco antes da Nova Aliança, era necessário que viesse o Redentor. Com a vinda do Redentor  tendo se cumprido em Yeshua, isso significa que a Nova Aliança está mais próxima do que nunca!
 
5 –   ENTENDENDO A OBRA REDENTORA DE YESHUA
 
É    preciso   entender   que   a   obra  redentora    de   Yeshua    tem   dupla   função.    A   primeira   é  restaurar   o  relacionamento dos homens para com D-us, realizando a teshuvá (retorno ao Eterno) na vida destes homens.  Este é o aspecto presente do sacrifício de Yeshua.
 
O segundo aspecto é nos salvar do Julgamento, pois sem Ele estaríamos condenados. Este é o aspecto futuro.  Como o julgamento virá imediatamente com a vinda do Messias, isto significa que cronologicamente a Nova  Aliança começa assim que termina o julgamento.
 
Quais    são   então  as  Boas   Novas    sobre   a  Nova   Aliança?    As  Boas    Novas   são   que,  como    não  seremos  condenados no Julgamento, poderemos viver o Milênio com Yeshua, que é a Nova Aliança!
 
Em outras palavras: o evangelho é a PROMESSA da Nova Aliança, e não a Nova Aliança em si!
 
6 –  FATOS SOBRE A NOVA ALIANÇA
 
Alguns outros fatos sobre a Nova Aliança:
 
1   –  A   palavra   "  Nova"  aqui   (Chadashá)   não   significa   algo   novo   no   sentido   de   partir   do   zero.   A   palavra  chadashá também pode significar, e é o caso aqui, uma renovação. A Nova Aliança nada mais é do que a  renovação da aliança que o Eterno fez com Israel.
 
2   –  A   Nova   Aliança   é   sempre   mencionada   em   conexão   com   o   Reino   do   Milênio   (Por   exemplo:   vide   Jer.  31:31-34 à luz do contexto de 34:10-40. Vide Jer. 32:40-44 no contexto de 32:37-44. Vide Ez. 37:26-27 à luz do contexto de 37:1-29. Veja ainda Mt. 26:28-29)
 
3 –  Repare que na Nova Aliança, não teremos mais ofertas de sacríficio pelos pecados (vide Hb. 10:16-18).
 
Porém:
 
a) Hb. 10:1-3 diz que atualmente os sacrificios permanecem como recordação;
 
b)   Rav.   Sha' ul   (Paulo)   fez   oferta   pelo   pecado   (Atos   21:23-26,   à   luz   de   Num.   6:13-21,   e   também   Atos 24:17-18)
 
c) Durante a tribulação haverá sacrifícios no Templo (Daniel 9:27)
 
4 –  Repare ainda que Yeshua se recusou a tomar do cálice da Nova Aliança até o Seu retorno para estabelecer  o Seu Reino (Mt. 26:28-29 = Mc. 14:15 = Lc. 22:20)
 
5 –   Podemos ver claramente que a Aliança Mosaica ainda permanece vigente (repare que em Hb. 8:13 ela  ainda não havia desparecido –   leia ainda Mt. 5:18)
 
7 –   PAULO NÃO DECLAROU A ALIANÇA MOSAICA OBSOLETA?
 
Outra   grande   confusão   que   ocorre   a   respeito   da   Nova   Aliança   tem   a   ver   com   Hebreus   8.   Esta   parte   de  Hebreus apenas ensina que a Nova Aliança é superior à Aliança Mosaica. Não porque o objetivo da Nova  Aliança   fosse   substituir   a   Aliança   Mosaica,   mas   sim   porque   a   Aliança   Mosaica   é   baseada   no   Santo   dos  Santos do Templo terreno.
 
Já a Nova Aliança pertence ao Templo Celestial. Agora, repare que o Templo Celestial (que nada mais é do  que   a   própria   presença   do   Cordeiro   –  vide   Ap.   21:22)   ainda   não   se   encontra   presente   na   Terra.   Só   estará  presente justamente quando Yeshua voltar. E é aí que entrará em vigência a Nova Aliança.
 
O problema está que as pessoas não entendem o argumento de Rav. Sha' ul (Paulo). Rav. Sha' ul está fazendo  uso aqui de uma técnica rabínica típica da escola de Hillel, onde Rav. Sha' ul (Paulo) estudou, que é a "  g' zara  sheva"     (equivalência   de   expressões).   A   equivalência   é   usada   para   se   fazer   uma   drash   (exposição).   Caso  realmente a promessa da Nova Aliança tornasse automaticamente a Aliança Mosaica obsoleta, então ela teria  ficado obsoleta quando Jeremias escreveu o texto, o que significaria dizer que a Nova Aliança teria começado 600 anos antes de Yeshua!
 
Na realidade, podemos ver por Hebreus 10 que Rav. Sha' ul havia acabado de explicar a figura de Yeshua no  Yom Kipur (Dia da Expiação), exposição esta que foi feita nos capítulos 8 e 9. E podemos ver nos versículos  10:1-3 que os sacrifícios permanecem como lembrança! Se Rav. Sha' ul (Paulo) estivesse escrevendo contra a  Aliança Mosaica, ele jamais poderia ter escrito que os sacrificios permaneciam!
 
Aliás, se analisarmos Hebreus 10:25 atentamente, Rav. Sha' ul (Paulo) se opõe claramente àqueles que não  observam       o  Yom    Kipur,    encorajando     as   pessoas   a   fazê-lo!   Isso  joga   por   terra  todo   argumento      dos  anti-nomianos de que Rav. Sha' ul (Paulo) teria pregado (absurdamente) a abolição da Torá.
 
Para   entendermos   o   que   Rav.   Sha' ul   (Paulo)   está   dizendo   em   Hebreus   8,   temos   que   recorrer   aos   textos  citados por ele: Tehilim (Salmos) 40, e Jer. 31. Rav. Sha' ul (Paulo) amarra o conceito da Torá no coração e  do fim dos sacrifícios, presentes em Tehilim (Salmos) 40, à Nova Aliança em Jer. 31. Rav. Sha' ul (Paulo) argumenta que haverá um tempo (que claramente não é o tempo presente) em que os sacrifícios não serão mais feitos porque o pecado não mais será lembrado, pois serão em memorial de pecados que já terão sido esquecidos quando o Julgamento tiver passado e a Nova Aliança estiver vigente. Rav. Sha' ul (Paulo) encerra  ainda citando Habacuque 2:3-4, demonstrando claramente que a Nova Aliança virá quando o Messias voltar.
 
8 –  CONCLUSÃO
 
O    ponto  chave,   portanto,  alegado   por  muitas   igrejas  cristãs  para  não  cumprirem    as  Leis   do  Eterno simplesmente não tem fundamento algum.
 
As Boas Novas do Messias se referem, dentre outras coisas, à promessa da Nova Aliança, que entrará em vigência em Seu Reino Vindouro, e não tem nem nunca teve por objetivo tornar obsoleta a Aliança Mosaica.

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